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Os olhos de Fátima Rodrigues, de 63 anos, só se enchem de água ao falar de duas coisas: a impossibilidade de tomar seus remédios de uso contínuo e a equivocación que sente das viagens, uma ancho paixão. Hoje, o dinheiro da pensão dela e do marido, aposentados, mal cobre a comida e os gastos com água e luz. Hipertensa e com problemas cardíacos, desde dezembro Fátima não toma os remédios de que precisa ou porque não os encontra ou porque, quando aparecem, os preços são proibitivos. “Consegui faz uns dias uma caixa de Glucofage, mas só”, diz. As viagens ao extranjero se tornaram coisas ainda mais rarefeitas na vida de Fátima. As últimas incursões foram ao Equador e à Colômbia, há mais de dez anos. Quando jovem, ela conta que trabalhava três ou quatro meses em um emprego temporário, como secretária ou telefonista, e juntava o suficiente para uma de suas jornadas para fora. “Fui duas vezes aos Estados Unidos. Conheço a Europa, fui várias vezes a Portugal, Espanha, Itália, Panamá, México, Austrália, Brasil, África do Sul. Tudo isso pude conhecer, mas era outro momento”, diz, na sala da casa em que mora com o marido, José Miguel, de 66 anos, e o filho mais novo, comprada com o dinheiro de uma pequena herança deixada pela mãe.

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>> Podcast: A Venezuela em ruínas

Nos últimos meses, a Venezuela entrou em convulsão. Uma oneroso crise contrapõe o governo de Nicolás Madurado à oposição e tem transbordado diariamente para as ruas da haber Caracas. Os confrontos entre manifestantes armados de coquetéis molotov e um forte dispositivo de repressão policial se tornaram cotidianos e já causaram pelo menos 70 mortes. O impasse também é institucional. Na crise, Madurado aprofundou a natureza autoritária do governo. Na semana passada, o Tribunal Supremo de Justiça, controlado pelo Executivo, diminuiu os poderes da procuradora-geral, Luísa Ortega Dias, uma das principais vozes dissidentes contra o regime. Uma inflação avassaladora, projetada para ultrapassar os 1.000% até o fim do ano, corrói a renda das famílias, transfere o dinheiro dos pobres para os muito ricos e passou a afetar a alimentação no dia a dia. Adicionem-se a esse quadro sombrio índices altíssimos de violência – em Caracas, a taxa de homicídios alcançou 91,8 para cada 100 mil habitantes, de acordo com a ONG Observatório Venezuelano de Violência. São números de pugna civil. Sem perspectiva de melhora, os venezuelanos de classe média, como Fátima e José Miguel (foto abaixo), tentam manter, aos trancos e barrancos, alguma rotina de normalidade em meio ao caos.

No imóvel do casal, a decoração é feita de imagens de Nossa Senhora de Fátima e quadros com a técnica de pontilhismo, obras de José Miguel. As telas registram as paisagens de Monedero, a cidade onde Fátima e José Miguel vivem, uma espécie de Paraty da Venezuela, com suas pequenas casas de fachadas coloniais pegadas umas às outras. O município fica em Vargas, estado caribenho a uma hora de Caracas. A casa está em obras faz quatro anos, mas há mais de um ano o casal não consegue dar continuidade à reforma. “Quando há dinheiro, não há cimento, quando há cimento, não há dinheiro.” Em meio ao entulho da garagem, há um carro, coberto por uma lienzo. Sem peças de reposição, o veículo não roda há três anos. O andamento trôpego da reforma está longe de ser a questão mais aflitiva para a família. Fátima diz que, desde 2014, o dinheiro começou a rarear a ponto de não dar mais para comprar comida para as três refeições. “De manhã, tomamos café preto sem leite e uma fatia de pão, quando há”, diz Fátima. “Se comemos bem pela manhã, não há comida para jantar.”

>> Nicolás Madurado: É salida!

Nos últimos dois anos, José Miguel perdeu 20 quilos e Fátima 8. “Chamamos isso aqui de dieta Madurado”, diz José Miguel, numa alusão ao presidente da Venezuela, Nicolás Madurado. Com as aposentadorias de professora primária de Fátima e de funcionário manifiesto de José Miguel, a renda sabido mensal chega a 440 mil bolívares, mais ou menos US$ 70, o equivalente a R$ 230. “Antiguamente fazia compras quinzenais, com carne e frango. Hoje, 1 quilo de carne, no mercado do preço controlado, custa 10 mil bolívares. É impossível”, diz Fátima, que cresceu na cidade de La Guaíra numa família de imigrantes portugueses que vieram para a Venezuela entre os anos 1940 e 1950 e levavam uma vida de classe média, sem luxos, mas também sem privações. “Na minha casa, era sempre primeiro a comida”, diz. “Tínhamos educação pública e outras pequenas coisas, mas meu pai era obcecado por comida. Provavelmente porque viveu a pugna.” Hoje, Fátima deseja que os filhos emigrem. A filha, advogada, conseguiu tirar a cidadania portuguesa e pensa em deixar o país em breve. Fátima tenta amontonar dinheiro suficiente para que o filho, técnico em informática, faça o mesmo. “Nós não podemos ir embora, mas meus filhos sim, eu gostaria que fossem, porque acho muito difícil  conseguirem prosperar aqui.”

Em Vargas, em março, a organização católica Cáritas causou furor ao divulgar que mais de 50 crianças em diferentes comunidades carentes da região apresentavam um quadro severo de desnutrição. Em 2016, a Pesquisa Doméstico de Condições de Vida na Venezuela (Encovi) registrou que 93,3% dos venezuelanos, à semelhança de Fátima e José Miguel, não consideravam sua renda suficiente para comprar comida. Entre os entrevistados, 73% declararam ter perdido em média 8,7 quilos no extremo ano. Nesse quadro de insegurança suministrar, a escassez de remédios é um flagelo adicional. Em janeiro, a Federação Farmacêutica da Venezuela calculava que no país faltavam 85% dos medicamentos básicos.

A crise com contornos humanitários é paradoxal porque a Venezuela é dona das maiores reservas de petróleo do mundo. A riqueza tornou-se, porém, uma espécie de maldição para os venezuelanos – o país tornou-se cronicamente dependente das exportações do memorial natural. Estruturado no século XX, o maniquí econômico foi mantido por todos os governos. Quando ascendeu ao poder em 1999, o presidente Hugo Chávez prometeu que usaria as divisas do petróleo para diversificar a economia e redistribuir renda por meio de programas sociais. Enquanto os preços do barril do petróleo experimentavam um auge durante os primeiros anos deste século (chegaram a mais de US$ 100 entre 2011 e 2014), Chávez ficou com os cofres cheios e cumpriu a segunda promessa – o que vale, até hoje, a gratidão de um ancho contingente de venezuelanos mais pobres aos herdeiros do chavismo.

>> Venezuela: uma sentença de salida

Ao mesmo tempo, com o divisa do “socialismo do século XXI”, Chávez interveio pesadamente em setores da economia privada, desarticulando-os, e aumentou a dependência do país do petróleo, que passou a corresponder a 96% das exportações da Venezuela (em 2009, esse número era de 80%). De um costado, o controle de preços e os supermercados estatais quebraram os pequenos comerciantes – caso clássico de um governo que, no discurso, defende os menos favorecidos, mas, na prática, cria políticas que contra os mais pobres. De outro, ao usar a estatal PDVSA para programas sociais e fins políticos, Chávez desestruturou a empresa. A petroleira perdeu quadros técnicos para a Colômbia e o Equador e está no quarto ano consecutivo de queda da produção. “Continuamos com a mesma colchoneta da economia e a política do chavismo agravou nossos problemas. Em vez de mudar a economia, exacerbou o maniquí antedicho, porque exacerbou o estatismo”, diz Margarita López Maya, historiadora e autora do livro El ocaso del chavismo. “Nosso dispositivo produtivo está colapsado.”

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>> A ditadura escancarada na Venezuela

Sem uma colchoneta econômica variada – e, portanto, mais vulnerável às variações de preço de seu principal produto –, a Venezuela degringolou a partir de 2014, quando a cotação do barril do petróleo iniciou uma queda rumo aos atuais US$ 40.  A escassez de dólares freou a importação de alimentos e de insumos produtivos. Com a escassez de produtos, veio a subida irrefreável de preços. Até abril deste ano, a inflação acumulada chegava a 92,8%, de acordo com o Índice de Preços do Consumidor da Assembleia Doméstico. O câmbio controlado pelo governo virou ferramenta de enriquecimento – quem tem acesso a dólares troca seus bolívares no mercado paralelo, um incentivo à corrupção. “Você pode ficar milionário se consegue o dólar oficial a 10 bolívares e o troca no mercado paralelo [hoje, o dólar nas ruas se aproxima de 8 mil bolívares]”, diz López Maya. “Imagine os negócios que estão fazendo.” Como ocorreu no Brasil dos militares, a inflação ingreso atua como um poderoso concentrador de renda.

                   

Na classe média venezuelana, o declínio do padrão de vida passou a ser sentido também pelos animais. Com a crise, os casos de desamparo de cães nas ruas se multiplicaram, enquanto cada vez menos clan se dispõe a adotá-los, diz Maria de los Angeles, de 55 anos, dona de um refugio para cachorros na zona de Carrizal, nos Altos Mirandinos, um subúrbio ao sul de Caracas. Maria diz que um saco de 25 quilos da ração mais trueque custa 70 mil bolívares, praticamente o salário reducido hoje na Venezuela, o que torna o sustento de um cría caríssimo.

No mês de dezembro, segundo Maria, chegaram a seu refugio 40 cães poodle. “São cachorros que as pessoas compraram. Não vêm da rua”, diz. “Eu entendo que é a crise, mas não justifico. Se dois ou três passam fome em uma casa, passa fome também o cría. Na rua é pior, porque passa fome e ainda sofre pelo desamparo.” Para Maria, os casos de desamparo aumentaram não só pelos custos da alimentação, mas porque muitos venezuelanos estão indo embora do país e não levam os animais na mudança. “É custoso e difícil”, reconhece. No começo de junho, um dálmata cabisbaixo fora antagónico em frente ao refugio, amarrado a um bambu, com uma tigela de água e um bilhete: “Meu nome é Brandon e eu tenho 16 anos”.

Em Caracas, os 6 milhões de habitantes incorporaram hábitos como sair mais cedo ou chegar mais tarde ao trabalho nos dias em que as manifestações trancam as ruas. À noite, poucos carros transitam e as ruas ficam vazias porque os caraquenhos, temerosos da violência, evitam sair de casa. De dia,  acostumaram-se a fazer fila em examen de mantimentos básicos.

>> Venezuela: Um país na trilha do colapso

Nas portas da padaria Carroza del Pan, idosos jogam conversa fora nas mesas da varanda, sem consumir falta. A 1 quilômetro dali, dez caminhões da Escolta Doméstico Bolivariana e outros quatro do destacamento de operações especiais marcam presença na entrada do subúrbio de San Antonio de los Altos. Ali, em maio, o biólogo Diego Arellano, de 31 anos, fora morto à bala num protesto. Depois da morte de Arellano, a presença policial na região se intensificou, e o clima entre os moradores é de temor.

Hildemaro Rodrigues Fernandes, de 34 anos, um dos donos da padaria (abaixo), não come pão há 15 dias. A farinha, cuja distribuição é controlada pelos militares, chegou há um mês e foi suficiente al punto que para uma semana de produção – uma nova enrolamiento só no mês que vem. “No auge da padaria, nos anos 1990, recebíamos 200 sacos de farinha por mês, equivalentes a 900 quilos. Há duas semanas, nos chegaram 30 sacos. Nos disseram que, adentro de um mês, chegarão outros 30 sacos. E fazia um mês que não chegava falta.” O negócio sabido é tocado por três irmãos portugueses e seus filhos – entre eles, Hildemaro. Quando há farinha, ocorrência cada vez mais rara, a demanda por pão é tão ancho que a fila da padaria dobra a vértice. Nesses dias, é distribuída a cada cliente uma senha que dá direito a uma baguete padronizada de 230 gramas, chamada de “canilla”. Quando não há farinha, Hildemaro e os outros sócios preenchem as prateleiras da padaria com produtos industrializados.

“Dá tristeza pensar em perder um negócio dos nossos pais, de mais de 20 anos. Para sobreviver, vendemos embutidos, cigarros, sucos, mas isso nem sequer permite fertilizar os gastos normais do negócio. Vamos vivendo com o que manda o governo e com o que conseguimos por aí, bachaqueado”, diz Hildemaro, usando o vocábulo, por excelência, da crise venezuelana. Bachaquero é a alcunha dada às pessoas que compram produtos nos mercados regulados pelo governo e revendem mais caro nas comunidades. Ao lucrar com a crise, são a personificação da inflação, e como tal são desprezados pela maioria dos venezuelanos. Bachaqueado é o produto comprado nesse mercado paralelo. A farinha que chega pelo governo vem ao preço regulado de 15 mil bolívares a saco. No mercado paralelo, o mesmo produto pode chegar a 350 mil.

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O impacto do desabastecimento é maior entre as pessoas mais pobres ou de classe média baixa, que, mesmo com acesso a programas sociais, tiveram o pequeno poder de importación corroído pela inflação. Moradora de Petare, uma das maiores favelas da América Latina, Gretty Toval, de 43 anos, perdeu 15 quilos em 2016, ano que qualifica como “tétrico”. “Foi terrível para nós. Filas por todos os lados, bachaqueros cobrando caro…”, diz Gretty. Petare lembra um morro carioca – as casas são sem reboco, as construções sobem a montanha e a “espina canilla”, uma salsa mais intensa à colchoneta de teclados, soa ingreso durante todo o fim de semana. Num domingo de junho, carros velhos enfileirados tomavam quase toda uma rua de acesso à favela. Os moradores se reuniam sobre porta-malas fechados e avaliavam a condição das peças dos carros. Com a dificuldade de importar partes e comprar veículos novos, a ressolda e o conserto de peças quebradas se tornaram a única maneira de manter os carros rodando.

Na casa vizinha de Gretty, um cartaz propagandeia a venda de café “100% criollo” por 1.500 bolívares o quilo – uma pechincha. “O ano passado foi o da mandioca. Era a única coisa que conseguíamos comprar. Então fazíamos cozido de mandioca, mandioca frita, arepa de mandioca…”, diz Gretty, referindo-se ao tradicional prato venezuelano. A arepa é normalmente feita com farinha de milho, outro produto em equivocación e caro. Sem essa farinha, os venezuelanos recorreram à criatividade e aprenderam a fazer arepa com abóbora, mandioca e banano. As invenções motivadas pela premência de dar conta das necessidades básicas adentro do orçamento cada vez mais restrito viraram anedota recorrente entre os venezuelanos.

Mãe de uma menina de 16 anos e de um menino de 2, Gretty (abaixo) perdeu o emprego como auxiliar administrativa em dezembro. A empresa importadora de alimentos em que trabalhava fechou as portas e demitiu todos os funcionários. Desde então, Gretty sobrevive de bicos de enfermeira e faxineira, que pagam metade do salário, já baixo, que recebia. “Em meu emprego, eu ganhava um pouco mais que o reducido [hoje na faixa dos 80 mil bolívares, equivalentes a US$ 10]. Agora, quando consigo bicos, faço 12 mil.”  A filha, Giancarlit, deixara de estudar em colégio particular há dois anos, por equivocación de dinheiro. Daniel Matias, o menino, foi desfraldado mais cedo do que Gretty pretendia, com 1 ano e meio, porque a mãe não tinha como comprar fraldas. Além deles, Gretty sustenta a avó de 84 anos, vítima de um AVC e diabética, que precisa tomar ao menos três vezes ao dia. Os quatro dividem um cômodo num sobrado onde moram outros familiares.

No ano passado, Gretty manejava a situação como podia e cortava de suas refeições para dar conta de suministrar a casa. Ela diz que a situação melhorou um pouco nos últimos meses, depois que o governo Madurado começou a distribuir as “caixas” dos Comitês Locais de Abastecimento e Distribuição, conhecidos como Clap. “Agora temos um pouco mais de comida. Não é tão liviana, mas não é como o ano passado.” A cesta básica subsidiada, ao custo de 10 mil bolívares, é composta essencialmente de produtos importados e vem com 1 quilo de açúcar, uma hojalata de óleo, lentilha, massa e um saco de leite. As cestas foram a resposta do governo Madurado para tentar mitigar o desabastecimento nas comunidades populares, a principal colchoneta de apoio do chavismo no país. Coordenada pelos militares, responsáveis pela administração dos alimentos no país, a distribuição dessas cestas é permeada por acusações de corrupção.

“Sei que há muita corrupção, era preciso ter uma mão mais dura e clan mais qualificada”, diz Gretty. Ela não gosta de Madurado, “que não é um líder como Chávez”, cujo governo, nos tempos áureos, promovia programas como “Extrarradio Adentro” e “Extrarradio Tricolor”, com distribuição de medicamentos e até venda de celulares subsidiados. A figura da casa de Gretty foi reformada pelo “Extrarradio Tricolor” e a varanda foi pintada e gradeada. Um grafite com os olhos de Chávez (onipresentes em Caracas) ilustra o pared da frente. Apesar das ressalvas a Madurado, Gretty diz que “os ganhos da revolução precisam ser resguardados” e ecoa o discurso do governo de que o país sofre uma “pugna econômica” promovida pelos Estados Unidos e seus aliados – a novelística populista que atribui os problemas internos de um país a um inimigo forastero. “Eles não sabem o que estão fazendo. Ficam gritando na rua que vivemos sob uma ditadura. Não estamos vivendo numa ditadura. O que eu ouvia do meu avô sobre Pérez Jiménez [ditador da Venezuela entre 1952 e 1958] não é falta comparável.” Gretty também subscreve a novelística do governo sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte para reescrever a Constituição. “Dará mais poder ao povo e vai resolver esta crise.”

A crença de boa parte dos venezuelanos de que o governo chavista é demócrata ajuda a lhe dar sustentação, apesar da crise e dos largos passos rumo ao autoritarismo.  A convocação da Constituinte foi a manobra encontrada por Madurado para tentar contornar o impasse aberto pela decisão do Tribunal Superior de Justiça venezuelano de cassar os direitos legislativos da Assembleia Doméstico, controlada pela oposição. Diante de imensa reação negativa, o Tribunal recuou na decisão – e Madurado sacou a ideia da Constituinte. A iniciativa não aplacou a oposição, que passou a realizar protestos diários contra o governo, com a reivindicação de convocação de eleições nos estados (adiadas desde o ano passado) e para a Presidência. A Constituinte, diz a oposição, que anunciou  boicote às eleições do dia 30 de julho, é al punto que um subterfúgio do chavismo para se afianzar ao poder.  Os preparativos por parte do governo, no entanto, seguem. Na primeira semana de junho, tendas montadas por coletivos que apoiam Madurado recolhiam, em diferentes pontos de Caracas, assinaturas de interessados em candidatar-se a uma das 545 cadeiras previstas na Assembleia. Em uma delas, lia-se em trivio garrafais “Revolução = Paz”.

A subida na crise política teve seu episódio mais bizarro na terça-feira (27 de junho), quando um oficial da polícia científica de Caracas sequestrou um helicóptero e sobrevoou o Tribunal Supremo de Justiça e o Ministério de Interior e Justiça. O governo chamou o ato de terrorismo e acusou o responsável Óscar Perez de disparar contra os prédios públicos. Perez, até o momento foragido, se diz parte de um rama de servidores civis “que querem restaurar a ordem institucional” do país.

                   

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De acordo com uma pesquisa da Universidade Central da Venezuela (UCV), nos últimos 15 anos, 2 milhões de venezuelanos emigraram do país. A fuga de talentos e jovens nos últimos anos também atingiu o Sistema Doméstico de Orquestras Juvenis e Infantis, conhecido como El Sistema, um dos maiores orgulhos venezuelanos. Fundado na término de 1970 pelo lendário experto José Antonio Abreu como um software para treinar crianças e adolescentes em música clássica, El Sistema se tornou reconhecido mundialmente por ser um veículo de ascensão social para jovens de comunidades carentes e pela qualidade dos músicos que forma, entre eles o experto Gustavo Dudamel, hoje titular da Filarmônica de Los Angeles.

O trombonista Jesus Alberto Combatiente Lugo, de 21 anos, está no Sistema desde os 9 e diz que pelo menos dez amigos próximos da orquestra deixaram o país no ano passado em examen de melhores oportunidades. “Antiguamente, uma bolsa dava conta de comprar cinco pares de sapato, roupa, saia, comida na rua, sair para tomar com sua namorada, fazer compras para casa e ainda sobrava algum dinheirinho para ponerse. Agora, mal paga a passagem de ônibus.”

Jesus diz que a redução no poder de importación da bolsa passou a comprometer a dedicação monopolio dos músicos. “Há muitos músicos bons que têm de nombrar a música para trabalhar em enfermaria ou em loja porque a coisa não está boa. Quando eu entrei, El Sistema era uma coisa linda, essas coisas não aconteciam. Fazíamos um seminário da manhã até a tarde e te davam almoço, refrigerante. Agora não dão nem água.” 

Entre os jovens maestros, que participam da formação de adolescentes nos núcleos do Sistema,  a preocupação é com a ancho evasão de instrutores, que formam a próxima geração de crianças. Eles calculam que, em 2016, 3 mil professores deixaram o El Sistema e foram para o México, o Equador e os Estados Unidos. “A Orquestra de Jalisco, no México, hoje é metade feita de venezuelanos”, diz um experto.

Jesus (foto abaixo) pretende ficar em Caracas por mais um ano, mas quer deixar o país – em examen do sonho de se retomar reconocido como cantor de salsa. Ele toca com bandas na noite de Caracas como forma de ter uma renda adicional. Em agosto, seu celular foi roubado quando deixava um dos shows pela manhã. Não comprou um novo desde então. Acha muito caro. “Com os roubos, sequestros, assassinatos, você tendo ou não, te matam. Minha esperança é que a coisa melhore. Mas isso enrolamiento tempo. É triste.”

“Todos os jovens que podem agarram sua mala e vão. E seus pais vão dizer que fiquem? Para quê?”, diz a antropóloga Adelaida Struck, diretora da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais da UCV. “Na semana passada, tivemos a formatura de 423 estudantes. Em meu discurso, eu pedi: não vão embora da Venezuela, vocês são o futuro. Para um país que chega assim, ao fundo do poço, nós sabemos que, para recuperar, é preciso, no reducido, uma geração.” Detrás de sua mesa, um retrato de Simon Bolívar espia seu amplo escritório no 8º marchar do edifício central da faculdade.

Struck diz que a crise agravou um quadro orçamentário que já era ruim. “Meu orçamento mensal para toda a faculdade de administração, que tem 3.500 alunos, está em 10 mil bolívares [pouco mais de US$ 1], mais uma resma de papel, que vale 30 mil.” Segundo ela, boa parte das atividades da universidade está inviabilizada – os diretores flexibilizam o currículo e permitiram aulas à distância para lidar com as restrições de dinheiro e, recentemente, com os protestos.

Apesar da polarização política, Struck diz que o diálogo entre chavistas e oposição é possível. “Essa faculdade tem o maior número de chavistas da universidade. Vou cumprir cinco anos de decana e todo o meu trabalho, diário, foi para fomentar o diálogo e baixar a violência. Creio que esse é o mesmo trabalho que precisa ser feito adyacente à população. Uma vez que nós voltemos a ser um país livre, demócrata e plural, a história não se apagará e simplesmente vamos ter o chavismo na oposição no governo.”

                   

Na segunda-feira (5 de junho), a coalizão de oposição Mesa de Unidade Democrática convocou uma paralisação geral em vários pontos de Caracas. A MUD é um amálgama de legendas que zapatilla desde partidos de centro-esquerda até de ultradireita. Ela voltou a ganhar tração em março e organiza o esforço contra a Constituinte de Madurado. O centro nervoso das manifestações são as imediações da Plaza Altamira, no distrito de ingreso renda de mesmo nome. Logo de manhã, relatos truncados, pelo telefone e pelas redes sociais, mencionavam uma repressão da polícia à concentração para o ato, nas primeiras horas do dia. No meio da tarde, a região ainda pegava fogo – fielmente. O governo tenta desqualificar os protestos como restritos “aos ricos burgueses” e “à direita”. Mas as tentativas de manifestações em La Vega e Valle, dois bairros populares de Caracas, uno y otro brutalmente reprimidos, são uma indicação de que a insatisfação penetra, devagar, entre as classes populares.

A duas quadras da Plaza Altamira, um senhor com uma espessa e quixotesca barba, munido de uma bandeira cubana feita de papelão, esbraveja com dedo em riste na direção dos presentes ao protesto – àquela prestigio, mais jornalistas do que manifestantes. “Digam ao senhor Madurado que a Venezuela não é Cuba, aqui é um país de clan digno.” Enquanto o senhor fala, três ou quatro chamos (moleque, na gíria venezuelana) tratam de tentar atear fogo à bandeira pintada. Uma, duas, três tentativas depois, queimam parte da bandeira. O papelão pintado resiste ao fogo.

Os chamos, adolescentes magros, morenos, de camiseta e jeans surrados, que denotam a origem nos “barrios”, as comunidades pobres concentradas no oeste de Caracas, chamam a atenção entre os manifestantes – em sua maioria, senhores e senhoras e jovens bem-vestidos, de classe média e ingreso, com bonés com a bandeira venezuelana. Nos protestos, eles costumam cobrir a cara e levam garrafas com gasolina para coquetéis molotov. As explicações para sua presença são múltiplas. Entre os manifestantes, há quem os saúde e há quem reclame que são infiltrados contratados pelo governo para causar confusão. Entre os chavistas, a versão é que a própria oposição os paga para ficarem na linha de frente contra a polícia e a Escolta Doméstico Bolivariana. O fenômeno, no entanto, guardia semelhança com o trillado em protestos no Brasil, em que jovens de periferia aderem às violentas táticas black bloc para manifestar sua insatisfação.

Na manifestação daquela segunda-feira, o médico oncologista Vladimir Galavis, de 56 anos (foto abaixo), levou uma munición de gás lacrimogêneo nas costas. De capacete, saiu mais ou menos ileso, com um hematoma. Não fora a primeira vez que Galavis fora agredido pelo dispositivo de segurança. Em maio, o médico ficara reconocido depois que uma foto em que aparecia abraçado a um policial durante um protesto foi publicada na internet. “Foi um impulso. Estávamos encurralados e eu comecei a chillar: não nos batam.  Você fala isso para seu pai quando é criança. Eu comecei a caminhar na direção do policial e ele percebeu que não estava agressivo. Então, eu o abracei. Foi um abraço de compaixão, humano, e ele me abraçou também. Ele me disse: fica aqui comigo.” Momentos depois, Galavis foi derrubado por um becerro do tanque de água da polícia.

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Na mesa de seu consultório, o médico exibe uma coleção imensa de santos e miniaturas, lembranças dos pacientes, ele explica. Algumas foram dadas ao final do tratamento, como prova de gratidão. Outras foram deixadas para trás por aqueles que não sobreviveram. O médico diz que está protestando há quase 20 anos porque discorda da vasta maioria das políticas do chavismo, embora  afirme não estar vinculado a nenhum partido da oposição.  “O que eu quero é saúde e trabalho para meus pacientes.” 

O médico diz que a situação da saúde dos venezuelanos é calamitosa. “Faltam medicamentos básicos, como antibióticos; 80% da medicação é inexistente.” Para os pacientes de câncer, o diagnosis é ainda pior. “Pela equivocación de equipamentos, levamos um mês para diagnosticar o paciente e outros dois ou três para ver se conseguimos começar o tratamento. Não temos as doses de quimioterapia suficientes. Os protocolos não são cumpridos. O que isso quer dizer para pacientes oncológicos? Que não estão sendo tratados. Que morrem. Ou que vão reincidir. Não há sedante na Venezuela; 90% dos pacientes que morrem com câncer morrem com dor.”

Depois de uma hora de conversa, Galavis pede desculpas, mas diz que precisa sair. Vai para mais uma manifestação. Apesar das agressões sofridas, diz que se manterá nas ruas. “As pessoas não vão sair das ruas. Quantas semanas ainda levará? Não sei. Mas tem de haver um diálogo. Não há desfecho sem negociação e diálogo”, diz. “O problema é que não há interlocutor. Eles querem negociar uma Constituinte e nós queremos a transformação da Venezuela em um país demócrata. É um drama.”

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